Durante a edição de 2019 da feira MWC 2019 (Mobile World Congress), em Barcelona, a atenção dispensada aos celulares dobráveis não ficou devendo nada à pirotecnia de flashes que indica a chegada de artistas consagrados às cerimônias do Oscar.

Envoltos em redomas e ostensivamente protegidos por seguranças, aparelhos como o Samsung Galaxy Fold e o Huawei Mate X levantavam muralhas de braços com celulares e câmeras em punho – tudo para garantir um registro da mais nova extravagância produzida pela indústria.

Celulares Dobráveis: Tendência tecnológica de 2019

Entre os pioneiros da nova tendência, os conceitos são bastante variados. Há modelos que se dobram com o display para dentro, semelhante a um livro; há outros que dispõem as telas em esquema de dupla face; e tem ainda um que parece responder à questão: “Por que dobrar apenas uma vez?”. Em comum, há a proposta de novos aparelhos ergonômicos que possam se transformar rapidamente de um smartphone padrão em um tablet multitarefas.

Apesar da fanfarra, parte do público e mesmo da própria indústria ainda parece se perguntar sobre o quão durável, prático ou comercializável deve ser um celular que pode ser dobrado. Bem, aí vai depender do protótipo que conseguirá (ou não) de cair nas boas graças do público. Entre empresas que formam a linha de frente e jogadores “na retranca”, confira abaixo as principais apostas para a nova tecnologia de celulares dobráveis.

Royole FlexPai

Curiosamente, o primeiro celular dobrável não veio dos setores de pesquisa e desenvolvimento da Apple ou da Samsung. Em vez disso, foi a relativamente desconhecida Royole que apresentou o estreante oficial da nova leva dos foldables, em outubro de 2018. Trata-se do FlexPai, um aparelho que se dobra ao meio (com as telas para fora) fazendo uso de dobradiças.

Apesar do pioneirismo inegável, o FlexPai tem sido considerado pela crítica especializada mais como uma “prova de conceito”. Com processador modesto e câmera de ativação lenta, o smartphone foi apontado também como um tanto desajeitado ao manuseio. Além disso, o modelo da fabricante chinesa não é nada barato, sendo vendido (apenas na China) pelo equivalente a R$ 5 mil.

Samsung Galaxy Fold

Com seis câmeras e telas de 4,6 polegadas e 7,3 polegadas, o novo Galaxy Fold é a proposta dobrável da Samsung.

Inicialmente chamado de “Galaxy X”, o Samsung Galaxy Fold tem se tornado um dos focos de atenção entre entusiastas de celulares dobráveis desde que foi apresentado durante a MWC 2019. O aparelho da sul-coreana foi o segundo foldable revelado ao mundo, pegando carona na nova linha S10 da fabricante sul-coreana. Embora passe longe de ser um “tijolar”, há quem aponte espessura como uma possível desvantagem do Fold – já que o modelo traz duas baterias de 4.380 mAh.

Com padrão de dobradura semelhante à de um livro, o Galaxy Fold possui externamente uma única tela de 4,6 polegadas HD+ Super AMOLED. Ao ser aberto, entretanto, o aparelho ostenta um belo display de 7,3 polegadas QHD+ Dynamic AMOLED, assumindo as medidas de um tablet. Além disso, o estreante foldable da Samsung ainda traz seis câmeras, sendo três na parte traseira, duas na parte interna e uma na parte frontal. O conjunto todo é posto para funcionar por um respeitável SoC Snapdragon 885, e deve ser disponibilizado em quatro cores: “Space Silver”, “Cosmo Black”, “Martian Green” e “Astro Blue”.

O Samsung Galaxy Fold tem lançamento previsto para o dia 26 de abril pelo equivalente a R$ 7,7 mil.

Huawei Mate X

om medidas mais enxutas do que o seu principal concorrente, o Huawei Mate X tem display expansível até 8 polegadas e chipset Kirin 980.

O Mate X foi apresentado pela Huawei em um pré-evento realizado às vésperas da MWC 2019. Ao ser oficialmente apresentado, uma das primeiras características que saltaram à vista de curiosos e mídia especializada foi a espessura do aparelho. Isso porque o modelo dobrável da fabricante chinesa é consideravelmente mais fino do que seu principal concorrente, o Samsung Galaxy Fold (acima).

Mas as diferenças não param por aí. O Mate X também abre ao contrário do Fold, com as telas de 6,4 polegadas e 6,6 polegadas dispostas como frente e verso quando o aparelho está fechado. Ao ser aberto, o Mate X ganha um display de 8 polegadas (com menos moldura do que o Samsung). O celular conta ainda com um chipset Kirin 980, três câmeras (grande angular, ultra grande angular e telefoto), 8GB de memória RAM, 512 GB de armazenamento e suporte para conectividade 5G.

O Huawei Mate X deve chegar às prateleiras no dia 20 de junho, com preço equivalente a R$ 10,1 mil.

Um sucessor para o Motorola RAZR V3

Relançamento da icônica linha RAZR pode transformar a Motorola de pioneira do flip a competidora de peso no mercado de dobráveis.

Como uma das principais marcas associadas ao sistema flip, seria até estranho se a Motorola não fizesse sua aposta entre os novos celulares dobráveis. De fato, espera-se que a marca reative sua icônica linha RAZR – com o referido sistema substituído por uma tela dobrável. A possibilidade ganhou ainda mais força após a companhia registrar uma nova patente em dezembro de 2018.

A intenção parece real. “Quando vou às lojas hoje, todos os celulares me parecem iguais – é difícil dizer se é um Motorola ou se é alguma outra marca”, comentou o vice-presidente da Motorola, Anthony Barounas, em conferência da marca. Para o executivo, o desafio é “mostrar aos consumidores algo realmente diferente”. Naturalmente, há quem acredite que o “diferente” aí é a tecnologia foldable, que deve integrar uma nova franquia na faixa dos US$ 1,5 mil.

O celular com duas dobras da Xiaomi

Por que dobrar em apenas um ponto? O misterioso protótipo da Xiaomi é praticamente um origami high tech.

No início deste ano, o cofundador da Xiaomi, Lin Bin, surgiu em um vídeo mexendo em um celular que se dobrava em dois pontos da tela. O misterioso aparelho, entretanto, não chegou a ser levado para os palcos da MWC 2019 – talvez para que não roubasse os holofotes do novo Xiaomi Mi 9.

Mas a mensagem foi clara: “O celular Xiaomi com dobras duplas está chegando”, disse Bin. “Se vocês gostaram, nós podemos considerar uma produção em massa para o futuro”, ele conclui. Bem, um “origami” de alta tecnologia com multitelas lhe interessa? Então, manifeste-se! O Sr. Bin e a Xiaomi agradecem.

LG: de TVs enroláveis a celulares dobráveis é um pulo

Um registro de patentes descoberto há algum tempo mostrou que, sim, a LG pretende pegar carona nos celulares dobráveis. Em algum momento futuro, a mesma tecnologia que deu origem às TVs enroláveis da marca deve permitir a criação do primeiro LG foldable. Durante um evento recente em Seul, o chefe da divisão mobile da marca, Brian Kwon, disparou que “é muito cedo para a LG lançar um aparelho dobrável”.

Posteriormente, o gerente de produtos, Kyle Yoon, deixou claro que o lançamento está condicionado à existência de um ecossistema de aplicações adequado às novas telas. E o preço da tecnologia também precisa baixar. No momento, a LG parece mais interessada em promover seu novo DualScreen, periférico que poderá ser acoplado ao LG V50 ThinQ para adicionar uma segunda tela com 6,2 polegadas. Ainda não é dobrável, mas quebra o galho.

E a Apple?

Em meio ao burburinho causado pelos novos celulares dobráveis, sem dúvida não falta quem esteja se perguntando: “E a Apple?”. Apesar dos rumores surgidos em 2017 sobre um “iPhone dobrável” a ser lançado em 2020, é fato que a Maçã ainda não manifestou oficialmente qualquer interesse em tomar parte da onda do foldable – ainda que patentes desencavadas aqui e ali indiquem que a tendência está nos planos da companhia.

Apesar de ter lançado a “pedra fundamental” dos modernos smartphones com seu primeiro iPhone, a Maçã tem assumido uma postura mais contida quando se trata de novidades disruptivas. Em outros termos, parece razoável crer que a Apple prefira atualmente apostar em tecnologias já razoavelmente maturadas e aprovadas pelo público. O mesmo parece valer para os celulares dobráveis. É esperar para ver.

Outros apostadores dos dobráveis

A despeito de haver poucos produtos prontos para o lançamento, é fato que a tecnologia de dobráveis tem movimentado todas as principais marcas do setor. A Sony, por exemplo, mesmo sem anúncios, já arquivou várias patentes relacionadas à nova tecnologia – embora tenha preferido apostar nas telas de 21:3 durante a MWC 2019, com foco em aparelhos como o Sony Xperia 1.

Por sua vez, a chinesa Vivo anunciou uma nova sub-marca focada em foldables, a iQOO, com especial interesse no lançamento de modelos dobráveis com preços mais acessíveis. A também chinesa Oppo chegou a levar um protótipo dobrável para a MWC 2019; um modelo bastante semelhante ao Mate X, da Huawei, ainda sem faixa de preço ou janela de lançamento.

Também a TCL, dona de marcas como a BlackBerry e a Alcatel, levou vários protótipos de foldables para a referida feira; cada um dos modelos apresentava uma forma distinta de dobra. Por fim, vale mencionar também a ZTE, cuja sub-marca Nubia tem sido vendida juntamente com o slogan “Flexibilize a sua vida”. Ao que tudo indica, o futuro da comunicação mobile pode mesmo ser dobrável.

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